Olá, colegas!
Postei abaixo algumas reflexões sobre o ensino de Língua Portuguesa...espero que gostem!
Gislene
Palmas-TO
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Ensino de Língua Portuguesa: ensinar o quê?
Gislene Pires de Camargos FerreiraNos últimos anos, a problemática do ensino-aprendizagem de Língua Portuguesa tem representado uma preocupação e objeto de pesquisa de vários linguistas brasileiros abrangendo os diferentes níveis de educação.
O processo de alfabetização e do ensino-aprendizagem de Português é bastante complexo e permeado por diversas variáveis que vão desde o contexto socioeconômico em que está inserido o educando, perpassando os processos e métodos de ensino, a formação do docente e vários outros aspectos pertinentes à prática docente. Assim sendo, não nos parece fácil oferecer ou apontar soluções prontas e acabadas.
Sabemos que a extensão da escolaridade obrigatória, a permanência de um grande número de alunos cujas motivações, expectativas e competências são diferentes e apontam para um grande desafio que a escola precisa enfrentar.
É importante ressaltar que a escola necessita estar preparada para receber os alunos oriundos das camadas menos favorecidas e também aqueles provenientes da zona rural. Afinal, estes possuem seus dialetos e suas especificidades e nós, educadores, precisamos estar atentos a tudo isso para possibilitar a “construção” de uma escola acolhedora e inclusiva.
Com esta reflexão procuro fazer uma abordagem do ensino de Língua Portuguesa sob o olhar da Linguística – ciência que estuda a linguagem humana – considerada uma referência no âmbito dessa temática, numa tentativa de clarificar os fatores que estão na base e que permeiam esta problemática.
Torna-se urgente a elaboração de pesquisas realizadas no quadro de diferentes orientações paradigmáticas que permitam definir e encarar a problemática sob diferentes aspectos.
O primeiro ângulo a ser observado é a importante função social da linguagem e seu aspecto mais importante: a comunicação. Afinal, somos seres de relações e a linguagem desempenha um importantíssimo papel na vida pessoal, profissional e social do individuo. Em seguida, é imprescindível articular a aquisição da linguagem e seu desenvolvimento à vida e à ascensão social promovendo assim a verdadeira transformação.
Vários estudiosos e pesquisadores enfatizam a importância do ensino de Língua Portuguesa de maneira mais natural, sem estar tão acorrentada à gramática ditatorial que, ao invés de incentivar e abrir novos horizontes para que o aluno se comunique com mais facilidade faz o papel contrário, deixando no educando aquela sensação de impotência diante de tantas normas, regras, exceções etc.
É necessário que se faça uma crítica à escola tradicional que prioriza o estudo da língua como gramática pura, pois a língua deveria ser estudada como meio de comunicação. Nas palavras de Luft: “um ensino gramaticalista abafa justamente os talentos naturais, incute insegurança na linguagem, gera aversão ao estudo do idioma, horror à expressão livre e autêntica de si mesmo”.
Nascemos programados para falar, o conhecimento da criança vai muito além dos dados linguísticos primários que lhe foram apresentados, elas já sabem muito mais do que aquilo que aprenderam, elaborando diária e inconscientemente sua linguagem. A língua da criança se desenvolve naturalmente e sua linguagem dependerá, em nível cultural e vocabular, do ambiente em que vive e dos modelos em que é exposta para liberar sua própria capacidade.
Para efetivar o processo de aprendizagem é necessário repensar as formas tradicionais de ensino, já que os educandos não sabem o porquê de se estudar a gramática. A justificativa de que ela ensina o “certo” já está ultrapassada. Ressalta-se a complexidade da teoria da língua que a criança constrói / internaliza em sua mente. Todos os indivíduos, mesmo os analfabetos, acabam construindo essas complexas teorias.
Finalmente, nota-se que muitos professores costumam usar a disciplina como pretexto para ensinar gramática. Como se mais importante que contagiar o aluno com o encantamento pela palavra fosse fazer com que ele assimilasse regras gramaticais, para simplesmente passar de ano e escrever corretamente. Na realidade, escrever bem é usar a linguagem para se comunicar com clareza e estilo. É preciso dom e visão para ensinar o verdadeiro amor pelas palavras, pelos bons textos literários, pela língua materna, sem posturas opressoras, sem obsessão por uma gramática imóvel e sem evolução.
É imprescindível e urgente a necessidade de repensar o ensino de Língua Portuguesa rumo a uma educação que promova a emancipação e a autonomia do educando. Afinal, língua é vida. E o verdadeiro papel dessa disciplina é possibilitar a formação de indivíduos que saibam escutar, falar, ler, interpretar e escrever. Nas palavras de Luft: “um ensino libertador, a libertação pela palavra: este o grande objetivo a perseguir em nossas aulas de língua materna. Liberto e consciente de seus poderes de linguagem, o aluno terá como crescer, desenvolver o espírito critico e expressar toda a sua criatividade”.
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
Ensino de Língua Portuguesa: ensinar o quê?
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Parabéns, Gislene!
ResponderExcluirExcelente reflexão sobre o ensino da Língua Materna em sala de aula!
Abraços,
Adriana
Olá Gislene!
ResponderExcluirSua reflexão está muito boa. Irei utilizar seu texto no meu encontro presencial.
Valeu!!
Adriano